domingo, 22 de agosto de 2010

Insuficiência renal; paralisação além dos rins


A insuficiência renal crônica (IRC) é uma doença que vem crescendo significativamente e tem como co-responsáveis o aumento da incidência de hipertensão arterial sistêmica e diabetes, pois muitas pessoas desenvolvem a insuficiência renal por causa da falta de acompanhamento adequado e detecção precoce dessas doenças (Associação Brasileira de Nefrologia).

O paciente com IRC passa por graves mudanças na vida social, no trabalho, nos hábitos alimentares e na vida sexual, que acarretam alterações na sua integridade física e emocional. A doença representa prejuízo corporal e limitações, pois, em geral, há afastamento do paciente de seu grupo social, de seu lazer e, às vezes, da própria família. Diante da doença, o indivíduo sente-se ameaçado, inseguro, por saber que sua vida vai ser modificada por causa do tratamento. Portanto, ocorre desorganização no seu senso de identidade (valores, ideais e crenças) e na imagem corporal pelas alterações orgânicas resultantes da doença, o que traz conseqüências à qualidade de vida.

A vida humana é determinada por circunstâncias dentre as quais se destaca a busca contínua de ser saudável, uma esfera da realidade que se confronta entre dois pólos; saúde e doença. O ser portador de insuficiência renal crônica enfrenta situações complexas inerentes à cronicidade da doença e à complexidade do tratamento. Assim, o paciente luta diariamente pela sobrevida e o bem-estar físico, mental e social, que representam dimensões dinâmicas e integradas do processo saúde-doença.

Nesse sentido, a doença renal traz impacto negativo sobre a qualidade de vida relacionada à saúde. Esta constatação é confirmada mediante os avanços tecnológicos e terapêuticos na área de diálise que possibilitam aumento de sobrevida dos renais crônicos, porém, sem lhes possibilitar o retorno à vida em relação aos aspectos qualitativos.

O portador de IRC, para sobreviver, tem o encargo de realizar uma terapia substitutiva, no caso, a hemodiálise, como alternativa para manter suas funções vitais. São circunstâncias que devem ocorrer em todo o curso da doença, enquanto aguarda o transplante renal.

A hemodiálise é um tipo de tratamento substitutivo da função renal, utilizado para remover líquidos e produtos do metabolismo do corpo quando os rins são incapazes de fazê-lo. Os pacientes podem ser submetidos à diálise durante o resto de suas vidas ou até receberem um transplante renal bem-sucedido. Por esse motivo, muitas vezes perdem os seus empregos, tendo que se reorganizar para uma outra atividade ou viver da aposentadoria.

São diversos os significados que passam no imaginário do paciente, por exemplo, o reconhecimento da gravidade da doença e do tratamento e suas conseqüências, como: efeitos medicamentosos, limites nos hábitos alimentares e na vida social, dentre outras situações adversas que provocam medo, dúvidas e insegurança quanto à cura e à possibilidade de viver. Assim, a IRC pode gerar sentimentos negativos nas pessoas e afetar sua qualidade de vida.

A equipe de saúde deve estar atenta a essa fragilidade e, ao implementar o tratamento, além dos aspectos biológicos, deverá avançar nos aspectos psicossociais do paciente, ajudando-o para que supere as dificuldades emergentes em face da doença.

Por estes e tantos outros fatores o Psicólogo se faz necessário junto a equipe técnica dos Centros de Terapia Renal Substitutivas uma vez que munidos de seus conhecimentos poderá identificar como esta problemática afeta a vida de uma pessoa e conhecer os significados atribuídos pelo paciente mediante a doença e o tratamento dialítico. Desse modo, é necessário redimensionar estratégias que ajudem o paciente a perceber suas limitações, mas sem interferir nas suas potencialidades de ser humano, implementando terapêuticas que possam diminuir esse sofrimento e concorram para uma melhoria na qualidade de vida.

Cuidar desses pacientes significa atender às suas necessidades, compartilhar saberes e facilitar a compreensão da doença e de meios de recuperação, o que inclui a sua participação e da família. Suas expressões de dor e sentimentos fazem parte da demanda de cuidados aos quais a equipe técnica deve dar atenção.

Referências Bibliográficas

Site da Associação Brasileira de Nefrologia - http://www.sbn.org.br/leigos/index.php?dialise&menu=8

2 comentários:

Doador de Órgãos (@doadordeorgaos) disse...

Parabéns pela reportagem. Muito pouco se tem feito nas clínicas de hemodiálise para atender os aspectos psicológicos da questão. A legislação deveria ser mais cuidadosa e mais rigorosa quanto a este assunto, não deixando de lado os recursos necessários para esta finalidade. Poderíamos também acrescentar o trabalho relativo ao profissional de Terapia Ocupacional que tem uma grande influência no animo do paciente em hemodiálise.

Ministério disse...

Quer ser doador de órgãos, mas não sabe o que é preciso fazer para garantir que a sua vontade seja respeitada? O que diz a Lei brasileira de transplante atualmente? Saiba isso e muito mais fazendo as suas perguntas diretamente para o Ministério da Saúde, através do http://www.formspring.me/minsaude.
Participe e divulgue!
Ministério da Saúde

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