sexta-feira, 20 de abril de 2012

Relacionamento precisa de manutenção - Parte I

Tenho recebido diversas mensagem solicitando dicas de como melhorar o relacionamento. Textos enviados por homens e mulheres que desejam alcançar um relacionamento mais saudável. Ressalto que a busca de informações sem sombra de dúvidas é um importante passo para alcançar essa felicidade. Portanto, decidi criar esta tag intitulada "Relacionamento precisa de manutenção".  Diversos são os comportamentos apresentados pelo casal como problema. Desta forma, formulei pautados nas mensagem mencionadas algumas dicas.
Aproveito para reforçar o valor da Psicoterapia destinada ao casal. Este é um instrumento técnico-científico de grande valia para auxiliar casais que estejam passando por sérias complicações na vida a dois. Fica então minha dica e espero que gostem! Aproveitando não deixem de comentar.

SEJA GRATO
Agradecer o seu parceiro parece simples, mas a gratidão pode fornecer a dose diária de incentivo que o mantém motivado a longo prazo. A gratidão ajuda a lembrar-nos das boas qualidades dos nossos parceiros. Não só a gratidão mas também o reconhecimento. Saber agradecer, elogiar, reconhecer ações, vincar atitudes, e reconhecer virtudes no parceiro permite reforçar o envolvimento do relacionamento saudável e criar emoções fundamentadas.
Alguns estudos revelam que os casais que coabitam, nos dias em que um  dos parceiro expressa mais gratidão, o outro sente-se mais satisfeito com o relacionamento. Na azáfama do dia-a-dia e dos enormes afazeres, as distrações são enormes, corremos o risco de “adormecer” na relação e dar o parceiro como garantido. Com se não fosse necessário dizer mais nada hoje do que já foi dito ontem. Estes esmorecer emocional e até mesmo de envolvimento pode contribuir para esfriar o relacionamento.
Mas a gratidão pode funcionar como uma dose de reforço, injetando emoções positiva no relacionamento. Expressar a gratidão é um combustivel para o bom desenvolvimento dos relacionamentos. Claro que essa gratidão tem de ser genuína. Tudo é um hábito, e estes podem ser desenvolvidos, treinados e aperfeiçoados. E a gratidão também.
No entanto, e como as palavras e o diálogo têm um enorme poder e impacto na forma como fazemos passar a mensagem, é preciso ter alguns cuidados acrescidos e sermos criteriosos. Dou exemplo de algumas frases:
Gratidão de impacto negativo: Obrigado por fazer o jantar, eu estava realmente com fome
Gratidão de impacto positivo: Você é um grande cozinheiro, foi tão gentil da sua parte ter cozinhado para mim
Nem todos temos a mesma forma de nos expressarmos. E na expressão de gratidão é importante que no conteúdo do discurso a outra pessoa seja o alvo da gratidão. A expressão de gratidão deve focar-se na outra pessoa. Certamente ela irá sentir-se bem, podendo emergir sentimentos de reconhecimento dos seus valores, esforços, caraterísticas, entre outros.  Promove-se os bons sentimentos no parceiro, e consequentemente um reforço nos laços emocionais entre ambos.

PROMOVA A ALEGRIA E O GOZO
A alegria e a boa disposição podem ser uma das primeiras vítimas de uma vida ocupada. Quando a sua vida consiste recorrentemente em trabalho, pagar contas, arrumar a casa e dormir, e todo um conjunto de coisas de ordem rotineira, o tempo para a diversão e gozo podem desaparecer de um relacionamento. É primordial manter viva a alegria, divertindo-se, brincando, usando linguagem e expressões de cumplicidade que expressem bom humor.
Você pode pensar que a comunicação sincera e analítica é a melhor maneira de lidar com um problema sério. Dacher Keltner no seu livro, Born to Be Good: The Science of a Meaningful Life, diz que os casais que utilizam o bom humor no calor de um conflito sentem-se mais ligados após os acontecimentos. Quando ele encenou uma discussão de um conflito no seu laboratório e comparou os casais que se comunicavam de forma direta e lógica, com os que usavam o conflito, ele descobriu que os casais que gracejam são mais felizes e alcançam resoluções mais pacíficas.
Utilizar o sentido de humor de forma sensata pode ser uma estratégia que se comprova muito eficaz para lidar com algumas das situações difíceis que todos nós enfrentamos nos relacionamentos. Mesmo apelidos e expressões “bobos” podem ajudar a transformar alguns dos conflitos em trocas pacíficas.
Lembre-se de brincar: Graceje de forma lúdica, não hostil, use sinais não-verbais que transmitem que você está-se divertindo. Por exemplo, usando uma expressão facial tola ou uma mudança de tom de voz.
  

Você pode potencializar seu relacionamento - Parte II


APROVEITE E POTENCIE AS BOAS NOTÍCIAS
Procuramos o apoio do nosso parceiro quando enfrentamos tempos difíceis, mas a forma como os casais durante os bons momentos se reforçam joga um papel tremendamente importante na estabilidade e florescimento do relacionamento. Os Parceiros que respondem entusiasticamente aos sucessos do outro, fazendo perguntas, dando elogios, e incentivando-se mutuamente, relatam maior satisfação do relacionamento ao longo do tempo.
A saber: A capacidade de um casal para ”capitalizar” os bons momentos e para celebrar os eventos positivos, ficam numa situação vantajosa para enfrentar os momentos em que se debatem com eventos negativos.
Quando algo de bom acontece ao seu parceiro, como uma promoção, um elogio de um colega de trabalho, ou mesmo uma grande gargalhada de alguém que gostou de uma piada que disse, aproveite a oportunidade para reforçar o acontecimento. Você não precisa de um grande evento como “desculpa” para potenciar o outro.

USE AS EXPETATIVAS  ELEVADAS A SEU FAVOR
Podemos ter algumas reticências em colocar o companheiro num pedestal, mas na verdade, os que promovem esse tipo de atitude e comportamento vêem retorno positivo no seu relacionamento. Manter-se neutro na elevação do companheiro, ou ao invés depreciá-lo, criticá-lo duramente ou fazer dele a razão de grande parte dos problemas do outro, não é por certo algo que possamos considerar como construtivo.
Todos sofremos influências e somos influenciados, em Psicologia podemos chamar a este fenómeno de efeito pigmaleão. Se você transmitir uma boa imagem do seu parceiro, se espelhar satisfação e o reforçar nos comportamentos adequados, existe uma elevada probabilidade de o influenciar positivamente. Atenção que ao referir-se à palavra “influenciar” não pressuponho manipulação indevida, mas sim promoção e construção de emoções positivas e realce dos valores e virtudes.
Se você valoriza avaliar e analisar aos seus olhos as outras pessoas, incluindo o seu parceiro, pode ser hora de relaxar um pouco e concentrar-se no que você gosta no seu parceiro. Focando-se nas suas expetativas elevadas, e olhando através de uma lente composta de flexibilidade de pensamento, pode ajudar a construir uma imagem genuinamente positiva ao longo do tempo.

ENCONTRE O SEU “EU” IDEAL NO SEU PARCEIRO
Os casais mais felizes e com melhor entendimento fazem sobressair o melhor de si. Mas quando os parceiros se assemelham mais a cada um dos outros nos seus ideais, os casais saem-se melhor, elevam o benefício para a relação oferecida pelo quão semelhantes são.
Alguém que descreve o seu eu ideal, como estando em boa forma física, por exemplo, pode ser feliz com um atleta disciplinado, alguém que deseja ser mais criativo pode prosperar com um parceiro artístico. Caryl Rusbult, um pesquisador da Universidade Vrije, em Amesterdão chamou-o “efeito de Michelangelo“, referindo-se à maneira pela qual os parceiros “esculpem-se” um ao outro de forma a ajudá-los atingir os objetivos valorizados por cada um deles.
Então, tente listar os seus objetivos pessoais. Pense sobre as qualidades que você mais gosta no seu parceiro. Depois verifique se há sobreposição entre o que você aspira ser ou conquistar e os aspectos do seu parceiro que você aprecia mais. Em seguida, solicite ao seu parceiro para ajudá-lo a melhorar nos domínios que mais interessam a você. Este pequeno exercício pode permitir que você se aproximar do seu ideal, mas também pode promover a aproximação ao seu parceiro.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Pensamento da Semana


Você pode potencializar seu relacionamento


A maioria dos casais foca-se em evitar conflitos. Mas os casais felizes sabem como maximizar os acontecimentos positivos, potenciando-se uns aos outros, fornecendo suporte em segredo, e, quando for o caso, não se focam em demasia no seu parceiro. Se você já tentou melhorar o seu relacionamento, provavelmente já ouviu muitas proibições. Não critique. Não seja rancoroso. Não culpe. Não deixe a tampa da sanita levantada, não esprema a pasta de dentes no meio. Bem, isto é totalmente errado. Os casais mais felizes focam-se em fazer o que tem de ser feito e não naquilo que não devem fazer. Ao invés de apenas se focarem nas interações negativas, eles trabalham ativamente para a construção da positividade nos seus relacionamentos. Eles executam o que nós psicólogos chamamos de “abordagem de orientação“, movendo-se para o que é bom, ao invés de afastarem-se do que é ruim.
Tradicionalmente, a pesquisa nos casais centrou-se  em minimizar os aspetos negativos (argumentos, a distância emocional, a infidelidade) do que em maximizar os aspetos positivos. Mas uma nova onda de investigação está a mudar tudo isso. Psicólogos orientados para a psicologia positiva, tal como eu próprio, achamos que manter um equilíbrio favorável das emoções positivas relativamente às negativas ajuda as pessoas e respetivos relacionamentos a prosperar.
A saber: Há toda uma ciência nova de como construir boas emoções.

Sua relação: vale a pena sim investir no parceiro(a)

O positivismo tem uma força imensa para mudar a nossa perspectiva: enquanto as emoções negativas nos “resignam”, as emoções positivas tornam-nos receptivos. As emoções e atitudes positivas ajudam-nos a “ampliar, construir e criar”. As emoções positivas realmente estimulam o pensamento, gerando benefícios como uma perspetiva mais alargada, aumento da criatividade e consequentemente promoção de um melhor relacionamento.
Encontrar maneiras de injetar humor, leveza e ser positivo numa situação difícil, não é apenas uma estratégia de distração. É um processo que ajuda as pessoas a olhar para outras possibilidades. Parceiros que se encontrem presos ao seu passado e a um único tipo de atitude tendencialmente derrotista, devem mover-se para uma maior positividade, aproveitando “micro-oportunidades” e fazendo “micro-compromissos“ para reforçarem a sua ligação. Trabalhar as emoções positivas é mais do que apenas divertir-se, inclui a gratidão, empatia, compreensão, inspiração, alegria, curiosidade e sobretudo uma orientação comum face aos valores estabelecidos no relacionamento.
A reter: Quando os parceiros estabelecem um compromisso ”bondoso”, uma forma de consciência focada em gerar sentimentos calorosos, meigos em relação ao outro, o quociente de emoções positivas aumenta largamente nas suas vidas, que por sua vez aumenta a satisfação com o relacionamento.
Na verdade, ao estabelecer mais objetivos positivos no relacionamento pode promover a felicidade mútua do casal. Os casais que procuram aumentar o bem-estar nos seus relacionamentos, concentrando-se na partilha de experiências significativas em conjunto, promovem o crescimento e desenvolvimento do relacionamento, e criam satisfação e intimidade (abordagem orientada para objetivos), comparativamente aos casais que se focam na esquiva da negatividade (objetivos orientados para a esquiva).
Não é humanamente possível atingir todos os aspectos positivos que você procura, mas facilmente percebemos que a positividade é importante para definir metas, e que os resultados obtidos refletem essa mesma positividade. A recompensa é grande: mais divertimento, mais crescimento, melhor sexo e mais intimidade sustentada.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pensamento da Semana


Estresse no trabalho e os agentes estressores psicossociais


O tipo de desgaste à que as pessoas estão submetidas permanentemente nos ambientes e as relações com o trabalho são fatores determinantes de doenças. Os agentes estressores psicossociais são tão potentes quanto os microorganismos e a insalubridade no desencadeamento de doenças. Tanto o operário, como o executivo, podem apresentar alterações diante dos agentes estressores psicossociais.

O desgaste emocional a que pessoas são submetidas nas relações com o trabalho é fator muito significativos na determinação de transtornos relacionados ao estresse, como é o caso das depressões, ansiedade patológica, pânico, fobias, doenças psicossomáticas, etc. Em suma, a pessoa com esse tipo de estresse ocupacional não responde à demanda do trabalho e geralmente se encontra irritável e deprimida.

Um dos agravantes do Estresse no Trabalho é a limitação que a sociedade submete as pessoas quanto às manifestações de suas angústias, frustrações e emoções. Por causa das normas e regras sociais as pessoas acabam ficando prisioneiras do politicamente correto, obrigadas a aparentar um comportamento emocional ou motor incongruente com seus reais sentimentos de agressão ou medo.

No ambiente de trabalho os estímulos estressores são muitos. Podemos experimentar ansiedade significativa (reação de alarme) diante de desentendimentos com colegas, diante da sobrecarga e da corrida contra o tempo, diante da insatisfação salarial e, dependendo da pessoa, até com o tocar do telefone. A desorganização no ambiente ocupacional põe em risco a ordem e a capacidade de rendimento do trabalhador. Geralmente as condições pioram quando não há clareza nas regras, normas e nas tarefas que deve desempenhar cada um dos trabalhadores, assim como os ambientes insalubres, a falta de ferramentas adequadas.

Fatores intrapsíquicos (interiores) relacionados ao serviço também contribuem para a pessoa manter-se estressada, como é o caso da sensação de insegurança no emprego, sensação de insuficiência profissional, pressão para comprovação de eficiência ou, até mesmo, a impressão continuada de estar cometendo erros profissionais. Isso tudo sem contar os fatores internos que a pessoa traz consigo para o emprego, tais como, seus conflitos, suas frustrações, suas desavenças conjugais, etc.

O extremo oposto, ou seja, ter uma vida sem motivações, sem projetos, sem mudanças na ocupação ao longo de muitos anos, sem perspectivas de crescimento profissional, assim como passar por período de desocupação no emprego também pode provocar o mesmo desenlace de Síndrome de Burnout. Mesmos sintomas podem surgir em ambos casos, ou seja, falta de autoestima, irritabilidade, nervosismo, insônia e crise de ansiedade, entre outros.

Falta de Estímulos
A falta de estímulos também pode resultar em estresse patológico e doença. O risco de ataques cardíacos, por exemplo, são significativamente maiores nos dois primeiros anos após a aposentadoria. Nesses casos a condição associada ao estresse costuma ser o tédio, a sensação de nulidade e/ou a solidão, portanto, a falta ou escassez de solicitações também proporciona situações estressoras.

Ruído
O ruído excessivo pode causar estresse pela estimulação do Sistema Nervoso Simpático, provocando irritabilidade e diminuindo o poder de concentração. Dessa forma, o ruído pode ter um efeito físico e/ou psicológico, ambos capazes de desencadear a reação de estresse. Este fator estressante pode produzir alterações em funções fisiológicas essenciais, como é o caso do sistema cardiovascular.

Alterações do Sono
O contínuo atraso do sono pelos horários de trabalho, viagens e variações do rítmo das atividades sociais, facilitadas pelo uso da luz elétrica e atrações noturnas, pode levar à insônia e, conseqüentemente ao estresse. Na síndrome de fusos horários das viagens internacionais, recomenda-se não tomar decisão importante ou não competir antes da readaptação fisiológica.

Falta de Perspectivas
A esperança, perspectiva ou expectativa otimista é uma das motivações que mais aliviam as tensões do cotidiano. Saber (ou achar) que amanhã será melhor que hoje, ou o mês que vem melhor que este, ou ano que vem será bem melhor, etc, são sentimentos que aliviam e minimizam a ansiedade e a frustração do cotidiano.

Mudanças Constantes
Esse assunto merece considerações mais amplas. As necessidades de mudanças podem ser comparadas a um ciclo vicioso; o momento presente está quase sempre exigindo mudanças, essas mudanças acabam trazendo novos problemas. Esses problemas despertam novas soluções, as quais passam a exigir novas mudanças e assim por diante.

Mudanças determinadas pela empresa
Esses tipos de mudanças podem ser determinadas por uma nova chefia ou devido à nova orientação geral da empresa, seja por causa de alguma fusão ou aquisição da empresa. Normalmente esse tipo de mudança pode gerar muita insegurança, inicialmente.

Ergonomia
O conforto humano em seu trabalho deve ser sempre considerado, em se tratando de estresse. Como enfatizamos sempre, não devemos privilegiar apenas as razões emocionais em relação ao estresse, por ser este uma alteração global do organismo (não apenas emocional).

Síndrome do Comportamento e Relacionamento Conjugal


Na rotina do relacionamento eles emergem, incluindo a dificuldade de manter o vínculo afetivo, causando a Síndrome do Comportamento de Hospedagem. Ela vai distanciando o casal através de comportamentos independentes ao extremo. A pessoa exerce os papéis cotidianos normalmente, todavia, demonstra frieza e comporta-se como um hóspede dentro de casa. Neste caso, especificamente, a precariedade vincular é a causadora deste comportamento, visto ser difícil para o seu portador manter um contato afetivo que ele próprio não pode oferecer.

A tendência da síndrome é gerar um conflito pessoal e, conseqüentemente, no casal, que pode acabar se separando. A conversa conjugal é capaz de abrir a primeira porta para a identificação desta síndrome, bem como buscar ajuda especializada, objetivando a melhora pessoal e uma vida conjugal qualitativa com psicoterapia.

Ao observar os conceitos sobre o vínculo afetivo, bem como as suas implicações no ser humano, é possível prospectar formas favoráveis e desfavoráveis de relacionamento ao longo da vida. Se a formação da personalidade de uma pessoa contar com a existência de um vínculo precário, torna-se incompatível a existência de um relacionamento conjugal. Em relatos clínicos obtêm-se históricos onde o marido ou a esposa não tiveram essa formação vincular com os seus pais. Posteriormente, na vida a dois, encontram dificuldades em manter o relacionamento por falta desta condição vincular.

Muitos obstáculos nas relações humanas estão ligados a esta precariedade de vínculo. O casal não consegue perceber este tipo de deficiência em seu relacionamento. Focaliza os problemas em outras questões, ou ainda, prefere nem tocar no assunto. Há casos em que ignora a possibilidade de lançar mão de uma psicoterapia. E, existem situações em que a resistência impera. Fato comum é dizer que não se precisa de tratamento algum, pois que as dificuldades são de outra ordem. Todavia, perde-se a chance de resolver na causa os efeitos de uma convivência difícil.

Nestes casos, especificamente, onde houve uma deficiência na formação de vínculo e as decorrências comprometem os relacionamentos subseqüentes, denominar-se-á Síndrome do Comportamento de Hospedagem ou SCH.

No relacionamento de um casal onde há a presença da SCH, quando entra na rotina da convivência, faz surgir um novo tipo de comportamento. Ele é extremamente prejudicial. A pessoa age, inconscientemente, de forma semelhante a um hóspede dentro de sua casa. Realiza as suas atividades comuns. Mantém a comunicação e os hábitos rotineiros, inclusive os financeiros.

No entanto, a sua forma de ser e estar apresentam um novo item: a frieza ocasionada pelo distanciamento. Aos poucos vai agindo como se fosse alguém que está hospedado na casa, cumprindo com alguns papéis pertinentes, todavia, trata as questões, antes parcimoniosas, de forma independente. Deixa as responsabilidades, sobretudo as domésticas, para o outro cuidar. Onde havia uma atmosfera de cordialidade e doçura, passa a existir um espectro de isolamento e pesar. O outro vai percebendo, sensivelmente, as diferenças no tratamento recebido e acaba por se sentir, pouco a pouco, só. A sensação deste isolamento origina-se na forma pela qual a ausência do vínculo se manifesta nesta relação.

As discussões passam a existir com uma freqüência crescente em virtude do mal-estar alojado e da falta de compreensão acerca da síndrome. Os conflitos podem surgir e avoluma-se no processo bola-de-neve. A pouca consciência a respeito da SCH provoca a discórdia entre o casal, atingindo quem estiver por perto nesta convivência, via de regra, os filhos. Lembranças e cobranças de como a vida conjugal era boa anteriormente são lançadas no calor das discussões. Isto faz aquecer ainda mais o desentendimento. Esta é uma situação estressante para o casal, podendo levar os seus envolvidos à depressão e outros males. E, carrega a possibilidade de desencadear a separação. São duas polaridades se confrontando. De um lado, a ausência de vínculo, a vida isolada. De outro, a força presente da relação a dois. Os compromissos da união "pressionam" o contato mais íntimo da esfera afetiva. Caso ela não exista, torna-se um problema permanente.

Este comportamento de hospedagem reflete o quanto o seu portador, inconscientemente, procura manter distância afetiva do outro para que não haja envolvimento. Caso ocorra uma separação, desta forma, evitar-se-á o sofrimento de uma provável desvinculação. A despedida neste tipo de relacionamento demanda apenas a retirada de bagagens.

Por se tratar de uma síndrome enraizada na formação vincular faz-se necessária uma avaliação diagnóstica. Além de indicar tratamento através de profissional especializado nas relações familiares. Este especialista ocupa-se em compreender as relações conjugais e também a formação do vínculo como peça fundamental nas mudanças terapêuticas necessárias. Na descrição de Gaudêncio (2003), a terapia é o melhor atalho para o autoconhecimento, gerador de crescimento. Em uma das fases da terapia de casal, o cuidado está no vínculo, o qual permite uma continuidade na relação. Com os avanços possíveis os cônjuges podem estabelecer novo olhar sobre a relação, investindo energia na construção vincular.

O sofrimento causado pela Síndrome do Comportamento de Hospedagem modifica o foco energético dos investimentos psíquicos. Ou seja, ao invés das pessoas empregarem as energias e esforços no convívio, utilizam tais recursos na manutenção do isolamento. Soma-se a esta condição o desgaste ocasionado pelo conflito entre as polaridades (ausência vincular e a necessidade do elo afetivo), além dos resultados nefastos, colhidos após as discussões familiares. Há uma sensação de impotência e frustração perante os fatos, que ganham, cada vez mais, uma dimensão que sinaliza o triste fim da vida a dois.

Não raro, crê-se que a síndrome nasceu dentro do relacionamento. Todavia, ela, apenas, foi desencadeada durante o convívio. O seu portador não enxerga o problema já antigo, Brazelton (1988), Bee (1997), Bowlby (1990), Hoffman et al (1996), Winnicott (1993), Siqueira (2003), Adler (1937) e Maranata e Rezepka (1999). É possível comparar relações anteriores a atual e sentir que há algo semelhante nelas. Contudo, é insuficiente para entender e aceitar a síndrome e a sua demanda por tratamento. O jogo de culpa é apenas um instrumento para se defender, na tentativa de diminuir as péssimas sensações que ganham terreno no cotidiano. De nada adianta. Só aproxima o casal da separação.

Separar, por sua vez, traz de volta o estado de isolamento requerido pela síndrome. Porém, ao mesmo tempo, causa dor e sofrimento. O que se acreditou ser bom anteriormente enquanto manter uma gostosa e importante relação familiar transforma-se em um pesadelo aterrador com a ruim convivência e a separação.

Buscar ajuda especializada é o remédio para este mal. Crer numa solução de poucos recursos como o esperar o tempo como agente de mudanças é dar oportunidade para que se instale a piora da SCH. Uma boa avaliação psicológica pode dar novos rumos às vidas das pessoas que pretendem o convívio. Respeitando-se as individualidades e construindo relações afetivas, conforme Bowlby (1990), que sustentem os dissabores que a vida se encarrega de apresentar a todos, sem exceção.

Dialogar, e, entenda-se bem, conversar com o coração aberto, oferece uma primeira abertura para se compreender a vida do casal. Dar o primeiro passo pode modificar aquilo que já era considerado algo inevitável, como a separação. Empreender esta tarefa não é simples. Requer coragem e vontade para mudar. Aceitar os problemas e lutar para transformar o prejudicial em saudável. Há uma necessidade de crescimento por parte das pessoas envolvidas. O grau de maturidade determinará o quanto se quer conviver bem. Ambas as partes devem estar dispostas e comprometidas em participar deste processo, apoiando-se.

É preciso administrar os problemas existentes dando lugar ao desenvolvimento qualitativo de vida. Isto se dá de dentro para fora. Leva tempo, entretanto, deve-se considerar que os resultados, conforme a vontade empregada no processo, trarão maior liberdade para viver, individualmente e de forma conjunta. A Síndrome do Comportamento de Hospedagem nos prende a circunstâncias de isolamento, contrariando e causando dor diante dos nossos desejos de vida familiar. Cuidar da questão, alterando o comportamento de hospedagem para o de comprometimento afetivo em conjunto permite existir a unidade fundamental das relações conjugais: a dependência equilibrada e necessária do vínculo. Vale a pena lutar com vontade, ajuda e conhecimento.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Natal!