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domingo, 12 de maio de 2013

Como manter os laços emocionais no relacionamento?


Por vezes, à medida que a tensão aumenta nos relacionamentos, seja através das desavenças e pontos de vista opostos, a tolerância vai diminuindo, a irritabilidade e a frustração vão aumentando. É usual que a luta pelo controle e pela supremacia tome o lugar principal. Perante tais cenários é primordial aprender a relacionar-se como iguais, como parceiros. Isso é crucial. É semelhante ao que muitas pessoas tiveram de aprender numa rápida mudança do local de trabalho, por necessidade. É importante perceber que uma nova forma de estar, de dialogar e abordar temas de tensão tem de existir.  É mais do que apenas aprender novas habilidades de comunicação ou de novas técnicas sexuais. Isso não irá criar reciprocidade ou igualdade por si mesmo. O que importa é afastar-se daquilo que aprendeu e não serviu, para iniciar uma nova abordagem. Esta nova abordagem é pautada na ideia de ter comportamentos e atitudes que sirvam e promovam o relacionamento, e não apenas os desejos e necessidades individuais.
Lutas de poder, de supremacia, e de prisão emocional, são um modelo de amor egoísta, de amor adolescente. A maioria das pessoas carregam esse modelo com elas nos seus relacionamentos adultos, consciente ou inconscientemente, dificultando uma aceitação mútua e uma conexão amorosa entre parceiros. No entanto as pessoas querem sentir-se plenas, e não terem de viver o medo da rejeição, do castigo ou abandono.
As relações convencionais com características pautadas  em torno da domínio e controle, conjuntamente com o modelo que transita da adolescência, criam produtos emocionais destruidores de relacionamentos. Esta falta de igualdade e desconexão emocional correspondente torna-se visível nas relações, distorcendo a forma como os casais vivem os relacionamentos, levando na grande maioria das vezes ao terrorismo íntimo.
O que proponho é a mudança da sua mentalidade sobre o seu relacionamento e igualmente os comportamentos que o suportam.  Não é uma fórmula, mas sim algo que você tem que trabalhar e praticar.
Algumas orientações que podem ajudar:

DÊ SEM TENTAR OBTER
Não quero ser radical ao ponto de transmitir-lhe a mensagem que não deve esperar obter nada das suas ações ou atitudes relativamente ao seu parceiro, nada disso.  Todos esperamos algo. Mas esse algo deve ser muito mais uma consequência, do que propriamente uma troca contratual. Deixe de olhar o seu relacionamento como uma transação, um dar e receber imperativo, um investimento para o qual se espera um retorno específico. Nós vivemos numa cultura comercial, não comercialize o seu relacionamento. Em vez disso, pondere a possibilidade de comprometer-se em demonstrar apoio e amor ao seu parceiro, sem esperar nada de concreto ou idealizado em troca. Você diz que sente amor? Mostre-o para o seu próprio bem, ponto final. Essencialmente, isso significa deixar de mover-se por um auto-interesse secundário. Abandone a sua ânsia de “obter” algo para si mesmo.
Dica: Redirecione as suas energias para apreciação que cada um pode ter relativamente ao outro, e se distancie do objetivo autocentrado de tentar obter algo de volta. Vivencie, esse é o seu retorno.
Talvez tudo isto lhe soe como algo “angelical” e altruísta. Sim, à primeira vista até posso concordar. No entanto, se fizer uma análise mais apurada, é fácil perceber que  ”conseguir o amor que você quer”, não é através da avidez. Se vier livremente, do seu parceiro, até você, isso é ótimo. Mas não faça disso o seu principal objetivo. Observações de pesquisa clínica têm mostrado o valor desta forma de relacionamento. Por exemplo, estudos realizados pelo investigador John Gottman concluíram que o apoio mútuo é fundamental para uma relação positiva. Isso significa renunciar a grande parte dos interesses pessoais como o seu objetivo principal e colocar as necessidades do seu parceiro acima das suas, por difícil e paradoxal que possa parecer.

NIVELE O CAMPO DE AÇÃO
Tentar controlar ou dominar o seu parceiro através de manobras ostensivas, certamente ajudará a cavar um buraco no relacionamento. Se for o caso, pondere reformular a sua ideia de relacionamento, abandone a busca de poder e substitua para: ter poder com…
Para melhorar um relacionamento, demonstre reciprocidade e igualdade através das suas ações. Isso é mais do que apenas comprometer-se em torno das diferenças. Mostre através das suas ações que você reconhece e apoia o seu parceiro como um ser igual, não um “objeto” para servir, ou frustrar o seu próprio ego. Embarque na experiência da partilha do poder. Por exemplo, em decisões diárias ou conflitos tente descobrir o que melhor serve o relacionamento, entre os dois, em vez de qualquer um de vocês. Que ações, atitudes e ideias constrói maior consideração, respeito e empatia pelo outro? Além disso, a pesquisa mostra que a decisão compartilhada entre parceiros, realmente leva a melhores decisões.
Exemplo: Se você tem uma discussão com o seu parceiro, e qualquer um de vocês consegue distanciar-se do impacto emocional que a disputa possa ter em vós, ou seja, você não deixa o assunto transbordar para outras áreas do relacionamento, então ambos os parceiros sentem-se mais ligados positivamente, em relação ao outro.

COLABORAR PARA O CRESCIMENTO MÚTUO
Se você foi condicionado em papéis rígidos que o empurram constantemente para um relacionamento de terrorismo íntimo associado a um modelo mais tradicional (como a maioria das pessoas ainda são), reconhecer que isso pode ser mudado é um fator impulsionador da mudança para melhor. Ter o objetivo de fazer crescer o relacionamento, deve ser suportado por uma forte honestidade emocional. A capacidade de expressar os sentimentos, sem ofensas, e sem restrições formam a base necessária à abertura para expressar os incômodos e as insatisfações, sem medos. Se os parceiros, forem construindo um campo psicológico aberto à livre expressão, sem críticas cortantes por parte do outro, mas sim, vontade para a procura de soluções, certamente o relacionamento desenvolve-se de forma saudável, beneficiando a ambos.
Como um homem, demonstre o apoio ativo da autonomia da mulher, independência e competência, e ao mesmo tempo, mostre que valoriza e apoia a sua sensibilidade emocional e necessidade de conexão.
Como uma mulher, mostre apoio à capacidade do homem para a abertura,  crescimento, e vulnerabilidade.
 Você vai fortalecer o seu relacionamento, incentivando e apoiando o seu parceiro para promover e desenvolver as capacidades subdesenvolvidas.

APOIAR UM AO OUTRO COMO PESSOAS INDIVIDUAIS
Olhe para as diferentes perspectiva, interesses e desejos como uma experiência a abraçar, não algo a ser temido ou suprimido. Abraçar as diferenças fornece uma “mentalidade” que ajuda a manter a relação energizada. Você vai sentir uma maior estimulação e conexão positiva quando se tratam como seres humanos iguais, como pessoas distintas, que estão também ligadas. Sentir e demonstrar interesse um no outro, promover o crescimento e desenvolvimento como indivíduos, constrói maior ligação e energia emocional, relacional, sexual e espiritual sustentável. Ambos estão interligados.
A reciprocidade é reforçada quando também compartilham uma visão maior da vida, valores e propósito geral. Tenha em mente que a vida próspera do seu relacionamento, é uma troca de energia em movimento. A energia saudável está sempre fluindo, é flexível, equilibrada e associada a sentimentos positivos. A energia insalubre é redutora, rígida, e associada a emoções negativas. Com esta perspectiva os parceiros têm a capacidade para construir entre eles, um estado de energia fluída e saudável. A reciprocidade é uma parte crítica para mantê-lo conectado em torno de uma visão acerca da razão porque está nessa relação. Se essa é a viagem que pretende fazer, comece hoje mesmo a mudar para melhor.
E você? Quais instrumentos utiliza para manter saudável o seu relacionamento? Comente, participe!

domingo, 22 de abril de 2012

Você pode potencializar seu relacionamento - Parte IV


CUIDE DE SI
Como tenho vindo a transmitir, dar atenção ao outro, olhar para as mudanças que ocorrem, projetar-se no parceiro, aproveitar as elevadas expetativas para promover boas emoções, são tudo formas de reforçar a relação e potenciá-la para o próximo nível. No entanto, nada disto é possível de forma eficaz se você não estiver bem consigo mesmo. Para que isso aconteça é necessário investir em si mesmo, é preciso cuidar de si. Investir na sua própria vida e felicidade vai promover também o seu relacionamento.
Se você está passando por uma fase difícil, muitas vezes a coisa mais eficaz que  pode fazer é remover cuidadosamente a sua excessiva atenção da relação, por um período razoável. Descentralizar-se do outro,  do que a outra pessoa está fazendo mal, ou não está fazendo, e concentrar-se em tomar uma ação positiva na sua própria vida, em primeiro lugar. Por exemplo, na sua autoestima, autoconfiança, relação consigo mesmo, no seu trabalho, nos seus hobbies, no seu bem-estar geral.
Ao contribuir para que a sua vida seja mais satisfatória, você pode conseguir tirar a pressão excessiva do seu relacionamento como sendo a sua única fonte de felicidade. Além disso, quando você se cuida, você fortalece-se promovendo uma atitude mais positiva no relacionamento. A outra pessoa vai começar a tratá-lo de forma diferente, sem você ter feito grande coisa no seio do relacionamento. Ao mudar o seu foco e a sua energia de volta para você, isto permite capacitar-se, renovar-se e injetar esse animo de volta na relação.
Quando você opta por dizer obrigado, quando fornece apoio invisível, ou expressa um apelido bobo, as emoções de positividade emergem e fazem sentir-se num retorno de bem-estar no relacionamento. Não se esqueça, os pequenos gestos importam bastante. Presentes caros e exóticos e férias de sonho são agradáveis e bem-vindas, mas não são tão significativas a longo prazo, como ações simples, como ter tempo para notar uma roupa nova ou aplaudir o sucesso de um parceiro. A positividade expande a sua consciência, gerando mais atitudes positivas, mais entendimento, mais envolvimento, mais valorização, e mais confiança. Pequenas ações ajudam a construir um reservatório de boa vontade que irá manter o seu relacionamento a bom ritmo.
Dica: As oportunidades para encher o reservatório da boa vontade e emoções positivas, dependem de si. Dependem do quanto você que fazer coisas para contribuir para a saúde do seu relacionamento.  Não deixe de investir em si, no outro e no seu relacionamento.

O QUE AMBOS QUEREM É IMPORTANTE PARA A UNIÃO SAUDÁVEL
De acordo com a Teoria da Troca Social que é uma perspectiva dentro da psicologia social que descreve as relações humanas (Kelly & Thibaut, 1978; Thibaut & Kelly, 1959). Essencialmente, de acordo com a teoria, a estabilidade de todas as relações são o resultado de cada decisão individual sobre o seguinte:
A relação entre custos e benefícios: O saldo do que nós colocamos na relação contra o que recebemos dela.
O nível de satisfação: Como o relacionamento se compara às expectativas que cada um de nós acha que devemos ter.
O grau de dependência: As nossas chances de ter um melhor relacionamento com uma pessoa diferente.
Assim, formamos relacionamentos com as pessoas que dão tanto para nós como nós damos a eles (rácio), tratam-nos de acordo com as nossas expectativas (satisfação), e são as nossas melhores alternativas no momento e local (dependência). Mas, o outro faz os mesmos cálculos sobre nós. Assim, os rácios, satisfação e dependência influenciam os relacionamentos. Os desejos e necessidades de ambos os parceiros interessam para o bem-estar no relacionamento.
Este cenário não é muito ”romântico”, mas essa é a essência desta perspetiva. Os relacionamentos (de amigos-com-benefícios para o casamento) são um processo de troca no núcleo. Quando uma relação é um bom negócio para ambos os parceiros, eles ficam juntos e estabelecem laços duradouros. Quando não é, pelo menos, um eventualmente escolhe ir para outro lugar.

6 DICAS PARA FORTALECER O ENTENDIMENTO E AS TROCAS SAUDÁVEIS
Baseado na Teoria da Troca Social, apresento algumas dicas:
1) Descubra o que você quer. Tudo começa com você. Algumas pessoas realmente passam por cima desta etapa. Ficam tão embrulhadas em “encontrar o amor” ou “agradar aos outros” que se esquecem de descobrir o que querem num relacionamento.Você tem uma palavra a dizer sobre o seu relacionamento, tem opção de escolha. Você pode ter uma ideia do que pretende. No entanto, você também não precisa ficar obcecado sobre cada pequeno detalhe. Construa uma ideia geral do que você gostaria de melhor num parceiro. Como você gostaria que ele se comportasse? O que você gostaria que ele fizesse? Como gostaria que ele o tratasse? Que tipo de relação você está procurando? Tire um momento (ou mais) e tente descobrir isso. Mesmo que você já esteja a ter um relacionamento.
2) Decida o que você vai dar em troca. Não existe tal coisa como investir em algo para nada. O namoro e os relacionamentos não são excepção. Então, o que você está planejando dar ao outro. Como está pensado em potenciar o relacionamento e o seu parceiro? Seja honesto, não se subestime nem exagere acerca de si mesmo. Pense em todos os pontos fortes, os benefícios e qualidades positivas que você tem para compartilhar com um parceiro ou com o seu parceiro. Construa uma ideia do que você está disposto a compartilhar, a abrir mão e da forma de envolvimento e dedicação que está disposto a expressar.
3) Verifique as suas expectativas. Dê uma boa olhada no que você quer, versus o que você está disposto a dar. Será que combinam? É um objetivo realista? Tal como expliquei anteriormente, as expetativas podem ser utilizadas de forma positiva e construtiva a favor do parceiro e consequentemente da relação. No entanto, é preciso analisar as suas expetativas, principalmente face ao que você acha que consegue fazer e dar ao relacionamento.
4) Conheça o que o seu parceiro quer. É importante levar em consideração o que o seu potencial parceiro ou o atual quer, os seus ideias, os seus desejos, visões, sonhos, entre outros.
5) Avalie as suas opções. Nem sempre as coisas correm bem entre os parceiros. Mas se você está seguro que vale a pena, que é a pessoa com quem está ou quer vir a estar que tem o potencial que julga ser necessário para construir um relacionamento sólido, avalie as suas opções. Quer dar-se bem, investir na outra pessoa, fazer algumas cedências, discutir alguns assuntos, são alguns dos caminhos construtivos a poder escolher. Qualifique  e avalie a sua relação, não de forma taxativa, mas de forma simples. É importante ter uma noção do que gosta e do que pretende melhorar, para depois tomar boas decisões. Por vezes é preciso negociar um pouco e ver o que funciona. É uma boa opção? Você pode fazer um acordo? É um abordagem ganha-ganha? Veja quais são as opções que a “troca entre parceiros” lhe parece.
6) Escolha uma opção ou reavalie o seu plano. Se você encontrar uma boa estratégia para ambos, siga em frente. Especialmente quando a relação é justa, satisfatória, e encontram a melhor alternativa para ambos. No entanto, se você não gosta das suas opções, então é hora de repensar os passos acima descritos. Reveja-os novamente. O que você quer é um pouco irrealista? Você precisa dar um pouco mais para conseguir o que você realmente quer? Você precisa tentar uma nova abordagem?
Dica: Repita, refine e refaça o processo. Eventualmente, você vai encontrar uma conexão (ou vários) que funciona.
DESEJO-LHE BOAS ATITUDES, E UM BOM RELACIONAMENTO!

sábado, 21 de abril de 2012

Você pode potencializar seu relacionamento - Parte III


PERCEBA O QUE HÁ DE NOVO NO SEU PARCEIRO
Sermos surpreendidos de forma construtiva pelo parceiro é vital para sustentar e promover as emoções positivas no relacionamento. Mas, para ser surpreendido, primeiro você tem que prestar atenção. O problema é que a maioria de nós vamos ficando tão familiarizados com o nosso parceiro, que corremos o risco de deixarmos de reparar nele. Mas o fato de você parar de olhar e de reparar em coisas novas não significa que ele tenha parado de mudar. É apenas a ilusão de estabilidade que nos leva a concluir que os nossos parceiros são fixos, como se fossem entidades estáticas. Com se já não existisse nada para descobrir ou que se possa olhar de forma curiosa.
Por vezes, constrói-se uma imagem mental do outro, esta passa a ser confortável, e mantêmo-la. Isto pode ser devastador. Tudo muda, nós mudamos, nós aprendemos, nós crescemos e desenvolvemo-nos. E por certo, o seu parceiro também. Quando chegamos ao ponto de julgarmos que conhecemos o outro tão bem que já não vale a pena prestarmos mais atenção a ele, é como se o outro deixa-se de ser visto. Criamos uma “cegueira mental” em relação ao parceiro, deixando de reparar nele e nas suas novidades e alterações.
Olhar para o parceiro com elevado crédito, como alguém dinâmico, interessante e em constante crescimento pode ser promotor de um relacionamento ativo, construtivo e desafiador.
Portanto: Dedique algum do seu tempo para notar ativamente as diferenças no seu parceiro. Procure cinco coisas que são diferentes desde a última vez que você olhou para ele. Essas diferenças podem ser tão simples quanto uma gravata nova e tão profunda como uma mudança de crenças espirituais.
Este exercício de “consciência atenta“, aumenta o nosso compromisso com o parceiro. Permite que se construa um envolvimento entre ambos, permite que o outro perceba na prática o quão é levado em consideração. Permite conhecer um pouco mais o mundo do outro, e que se quisermos podemos tentar entender o entusiasmo do outro por determinada atividade. Experimente reparar mais no seu parceiro, envolver-se mais com ele, nas suas escolhas, nos seus interesses, e até mesmo nas suas dificuldades. Por certo crescerá um maior interesse, envolvimento e muitas coisas novas irão ser descobertas e valorizadas.

FORNEÇA APOIO EM SEGREDO
Certamente o apoio explicito torna-se importante de realizar quando o outro anda stressado, com problemas e a necessitar de ajuda. No entanto, por vezes este sentido de obrigação pode conduzir ao lado mais negro do suporte. Pode levar à análise e comparação, pode conduzir ao sentimento de ingratidão por parte do outro. Como se não se estivesse a fazer senão a nossa obrigação. O que leva ao aumento de stress entre ambos, isto porque o que dá suporte pode ver como uma obrigação, e o outro pode ver como um compromisso.
Não quero ser taxativo e dizer que o apoio mais eficaz é o ”invisível”. Ambos são necessários. Mas certamente o mais promotor de bem-estar entre o casal, é o apoio secreto, é o apoio de envolvimento e de compaixão. Os atos escondidos de bondade, como por exemplo, alegrar o dia de seu companheiro, especialmente quando ele ou ela está passando por um momento desafiador podem ser tremendamente restauradores. Então, ao invés de fazer grandes gestos, tente encontrar maneiras subtis para tornar a vida do seu parceiro mais fácil. Coloque a bebida preferida na geladeira ou arrume o espaço de trabalho que se encontra desordenado. Ser solidário secretamente e por vontade própria é uma boa maneira de exercitar a sua atitude positiva, mesmo a uma pequena escala.

REFORCE E RENOVE O CONTATO COM O SEU PARCEIRO
O mimo, o carinho e o sexo regular fazem maravilhas para a satisfação  e bem-estar no relacionamento. Mas para os casais cuja vida sexual está parada, o carinho e o mimo já são apenas miragens, mesmo apenas um pequeno toque ou gesto carinhoso pode fazer a diferença.
Um simples “toque atencioso”, em que os parceiros se tocam suavemente no pescoço, ombros e mãos, aumenta a oxitocina, uma hormona que facilita a ligação, e reduz a pressão dos parceiros diminuindo os níveis de stress fisiológico. Cultivar a consciência do sentido corporal e perceber a necessidade que todos nós temos do toque é essencial como promotor da conexão entre os parceiros. Não só para um bom relacionamento sexual, mas durante toda a convivência. Por outras palavras, você pode colher os benefícios da proximidade física, mesmo quando não tem tempo ou energia para uma intimidade muito ativa. Apenas um abraço rápido ou um toque carinhoso pode impulsionar o seu humor e a sua conexão com o seu companheiro.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Relacionamento precisa de manutenção - Parte I

Tenho recebido diversas mensagem solicitando dicas de como melhorar o relacionamento. Textos enviados por homens e mulheres que desejam alcançar um relacionamento mais saudável. Ressalto que a busca de informações sem sombra de dúvidas é um importante passo para alcançar essa felicidade. Portanto, decidi criar esta tag intitulada "Relacionamento precisa de manutenção".  Diversos são os comportamentos apresentados pelo casal como problema. Desta forma, formulei pautados nas mensagem mencionadas algumas dicas.
Aproveito para reforçar o valor da Psicoterapia destinada ao casal. Este é um instrumento técnico-científico de grande valia para auxiliar casais que estejam passando por sérias complicações na vida a dois. Fica então minha dica e espero que gostem! Aproveitando não deixem de comentar.

SEJA GRATO
Agradecer o seu parceiro parece simples, mas a gratidão pode fornecer a dose diária de incentivo que o mantém motivado a longo prazo. A gratidão ajuda a lembrar-nos das boas qualidades dos nossos parceiros. Não só a gratidão mas também o reconhecimento. Saber agradecer, elogiar, reconhecer ações, vincar atitudes, e reconhecer virtudes no parceiro permite reforçar o envolvimento do relacionamento saudável e criar emoções fundamentadas.
Alguns estudos revelam que os casais que coabitam, nos dias em que um  dos parceiro expressa mais gratidão, o outro sente-se mais satisfeito com o relacionamento. Na azáfama do dia-a-dia e dos enormes afazeres, as distrações são enormes, corremos o risco de “adormecer” na relação e dar o parceiro como garantido. Com se não fosse necessário dizer mais nada hoje do que já foi dito ontem. Estes esmorecer emocional e até mesmo de envolvimento pode contribuir para esfriar o relacionamento.
Mas a gratidão pode funcionar como uma dose de reforço, injetando emoções positiva no relacionamento. Expressar a gratidão é um combustivel para o bom desenvolvimento dos relacionamentos. Claro que essa gratidão tem de ser genuína. Tudo é um hábito, e estes podem ser desenvolvidos, treinados e aperfeiçoados. E a gratidão também.
No entanto, e como as palavras e o diálogo têm um enorme poder e impacto na forma como fazemos passar a mensagem, é preciso ter alguns cuidados acrescidos e sermos criteriosos. Dou exemplo de algumas frases:
Gratidão de impacto negativo: Obrigado por fazer o jantar, eu estava realmente com fome
Gratidão de impacto positivo: Você é um grande cozinheiro, foi tão gentil da sua parte ter cozinhado para mim
Nem todos temos a mesma forma de nos expressarmos. E na expressão de gratidão é importante que no conteúdo do discurso a outra pessoa seja o alvo da gratidão. A expressão de gratidão deve focar-se na outra pessoa. Certamente ela irá sentir-se bem, podendo emergir sentimentos de reconhecimento dos seus valores, esforços, caraterísticas, entre outros.  Promove-se os bons sentimentos no parceiro, e consequentemente um reforço nos laços emocionais entre ambos.

PROMOVA A ALEGRIA E O GOZO
A alegria e a boa disposição podem ser uma das primeiras vítimas de uma vida ocupada. Quando a sua vida consiste recorrentemente em trabalho, pagar contas, arrumar a casa e dormir, e todo um conjunto de coisas de ordem rotineira, o tempo para a diversão e gozo podem desaparecer de um relacionamento. É primordial manter viva a alegria, divertindo-se, brincando, usando linguagem e expressões de cumplicidade que expressem bom humor.
Você pode pensar que a comunicação sincera e analítica é a melhor maneira de lidar com um problema sério. Dacher Keltner no seu livro, Born to Be Good: The Science of a Meaningful Life, diz que os casais que utilizam o bom humor no calor de um conflito sentem-se mais ligados após os acontecimentos. Quando ele encenou uma discussão de um conflito no seu laboratório e comparou os casais que se comunicavam de forma direta e lógica, com os que usavam o conflito, ele descobriu que os casais que gracejam são mais felizes e alcançam resoluções mais pacíficas.
Utilizar o sentido de humor de forma sensata pode ser uma estratégia que se comprova muito eficaz para lidar com algumas das situações difíceis que todos nós enfrentamos nos relacionamentos. Mesmo apelidos e expressões “bobos” podem ajudar a transformar alguns dos conflitos em trocas pacíficas.
Lembre-se de brincar: Graceje de forma lúdica, não hostil, use sinais não-verbais que transmitem que você está-se divertindo. Por exemplo, usando uma expressão facial tola ou uma mudança de tom de voz.
  

Você pode potencializar seu relacionamento - Parte II


APROVEITE E POTENCIE AS BOAS NOTÍCIAS
Procuramos o apoio do nosso parceiro quando enfrentamos tempos difíceis, mas a forma como os casais durante os bons momentos se reforçam joga um papel tremendamente importante na estabilidade e florescimento do relacionamento. Os Parceiros que respondem entusiasticamente aos sucessos do outro, fazendo perguntas, dando elogios, e incentivando-se mutuamente, relatam maior satisfação do relacionamento ao longo do tempo.
A saber: A capacidade de um casal para ”capitalizar” os bons momentos e para celebrar os eventos positivos, ficam numa situação vantajosa para enfrentar os momentos em que se debatem com eventos negativos.
Quando algo de bom acontece ao seu parceiro, como uma promoção, um elogio de um colega de trabalho, ou mesmo uma grande gargalhada de alguém que gostou de uma piada que disse, aproveite a oportunidade para reforçar o acontecimento. Você não precisa de um grande evento como “desculpa” para potenciar o outro.

USE AS EXPETATIVAS  ELEVADAS A SEU FAVOR
Podemos ter algumas reticências em colocar o companheiro num pedestal, mas na verdade, os que promovem esse tipo de atitude e comportamento vêem retorno positivo no seu relacionamento. Manter-se neutro na elevação do companheiro, ou ao invés depreciá-lo, criticá-lo duramente ou fazer dele a razão de grande parte dos problemas do outro, não é por certo algo que possamos considerar como construtivo.
Todos sofremos influências e somos influenciados, em Psicologia podemos chamar a este fenómeno de efeito pigmaleão. Se você transmitir uma boa imagem do seu parceiro, se espelhar satisfação e o reforçar nos comportamentos adequados, existe uma elevada probabilidade de o influenciar positivamente. Atenção que ao referir-se à palavra “influenciar” não pressuponho manipulação indevida, mas sim promoção e construção de emoções positivas e realce dos valores e virtudes.
Se você valoriza avaliar e analisar aos seus olhos as outras pessoas, incluindo o seu parceiro, pode ser hora de relaxar um pouco e concentrar-se no que você gosta no seu parceiro. Focando-se nas suas expetativas elevadas, e olhando através de uma lente composta de flexibilidade de pensamento, pode ajudar a construir uma imagem genuinamente positiva ao longo do tempo.

ENCONTRE O SEU “EU” IDEAL NO SEU PARCEIRO
Os casais mais felizes e com melhor entendimento fazem sobressair o melhor de si. Mas quando os parceiros se assemelham mais a cada um dos outros nos seus ideais, os casais saem-se melhor, elevam o benefício para a relação oferecida pelo quão semelhantes são.
Alguém que descreve o seu eu ideal, como estando em boa forma física, por exemplo, pode ser feliz com um atleta disciplinado, alguém que deseja ser mais criativo pode prosperar com um parceiro artístico. Caryl Rusbult, um pesquisador da Universidade Vrije, em Amesterdão chamou-o “efeito de Michelangelo“, referindo-se à maneira pela qual os parceiros “esculpem-se” um ao outro de forma a ajudá-los atingir os objetivos valorizados por cada um deles.
Então, tente listar os seus objetivos pessoais. Pense sobre as qualidades que você mais gosta no seu parceiro. Depois verifique se há sobreposição entre o que você aspira ser ou conquistar e os aspectos do seu parceiro que você aprecia mais. Em seguida, solicite ao seu parceiro para ajudá-lo a melhorar nos domínios que mais interessam a você. Este pequeno exercício pode permitir que você se aproximar do seu ideal, mas também pode promover a aproximação ao seu parceiro.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Você pode potencializar seu relacionamento


A maioria dos casais foca-se em evitar conflitos. Mas os casais felizes sabem como maximizar os acontecimentos positivos, potenciando-se uns aos outros, fornecendo suporte em segredo, e, quando for o caso, não se focam em demasia no seu parceiro. Se você já tentou melhorar o seu relacionamento, provavelmente já ouviu muitas proibições. Não critique. Não seja rancoroso. Não culpe. Não deixe a tampa da sanita levantada, não esprema a pasta de dentes no meio. Bem, isto é totalmente errado. Os casais mais felizes focam-se em fazer o que tem de ser feito e não naquilo que não devem fazer. Ao invés de apenas se focarem nas interações negativas, eles trabalham ativamente para a construção da positividade nos seus relacionamentos. Eles executam o que nós psicólogos chamamos de “abordagem de orientação“, movendo-se para o que é bom, ao invés de afastarem-se do que é ruim.
Tradicionalmente, a pesquisa nos casais centrou-se  em minimizar os aspetos negativos (argumentos, a distância emocional, a infidelidade) do que em maximizar os aspetos positivos. Mas uma nova onda de investigação está a mudar tudo isso. Psicólogos orientados para a psicologia positiva, tal como eu próprio, achamos que manter um equilíbrio favorável das emoções positivas relativamente às negativas ajuda as pessoas e respetivos relacionamentos a prosperar.
A saber: Há toda uma ciência nova de como construir boas emoções.

Sua relação: vale a pena sim investir no parceiro(a)

O positivismo tem uma força imensa para mudar a nossa perspectiva: enquanto as emoções negativas nos “resignam”, as emoções positivas tornam-nos receptivos. As emoções e atitudes positivas ajudam-nos a “ampliar, construir e criar”. As emoções positivas realmente estimulam o pensamento, gerando benefícios como uma perspetiva mais alargada, aumento da criatividade e consequentemente promoção de um melhor relacionamento.
Encontrar maneiras de injetar humor, leveza e ser positivo numa situação difícil, não é apenas uma estratégia de distração. É um processo que ajuda as pessoas a olhar para outras possibilidades. Parceiros que se encontrem presos ao seu passado e a um único tipo de atitude tendencialmente derrotista, devem mover-se para uma maior positividade, aproveitando “micro-oportunidades” e fazendo “micro-compromissos“ para reforçarem a sua ligação. Trabalhar as emoções positivas é mais do que apenas divertir-se, inclui a gratidão, empatia, compreensão, inspiração, alegria, curiosidade e sobretudo uma orientação comum face aos valores estabelecidos no relacionamento.
A reter: Quando os parceiros estabelecem um compromisso ”bondoso”, uma forma de consciência focada em gerar sentimentos calorosos, meigos em relação ao outro, o quociente de emoções positivas aumenta largamente nas suas vidas, que por sua vez aumenta a satisfação com o relacionamento.
Na verdade, ao estabelecer mais objetivos positivos no relacionamento pode promover a felicidade mútua do casal. Os casais que procuram aumentar o bem-estar nos seus relacionamentos, concentrando-se na partilha de experiências significativas em conjunto, promovem o crescimento e desenvolvimento do relacionamento, e criam satisfação e intimidade (abordagem orientada para objetivos), comparativamente aos casais que se focam na esquiva da negatividade (objetivos orientados para a esquiva).
Não é humanamente possível atingir todos os aspectos positivos que você procura, mas facilmente percebemos que a positividade é importante para definir metas, e que os resultados obtidos refletem essa mesma positividade. A recompensa é grande: mais divertimento, mais crescimento, melhor sexo e mais intimidade sustentada.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Síndrome do Comportamento e Relacionamento Conjugal


Na rotina do relacionamento eles emergem, incluindo a dificuldade de manter o vínculo afetivo, causando a Síndrome do Comportamento de Hospedagem. Ela vai distanciando o casal através de comportamentos independentes ao extremo. A pessoa exerce os papéis cotidianos normalmente, todavia, demonstra frieza e comporta-se como um hóspede dentro de casa. Neste caso, especificamente, a precariedade vincular é a causadora deste comportamento, visto ser difícil para o seu portador manter um contato afetivo que ele próprio não pode oferecer.

A tendência da síndrome é gerar um conflito pessoal e, conseqüentemente, no casal, que pode acabar se separando. A conversa conjugal é capaz de abrir a primeira porta para a identificação desta síndrome, bem como buscar ajuda especializada, objetivando a melhora pessoal e uma vida conjugal qualitativa com psicoterapia.

Ao observar os conceitos sobre o vínculo afetivo, bem como as suas implicações no ser humano, é possível prospectar formas favoráveis e desfavoráveis de relacionamento ao longo da vida. Se a formação da personalidade de uma pessoa contar com a existência de um vínculo precário, torna-se incompatível a existência de um relacionamento conjugal. Em relatos clínicos obtêm-se históricos onde o marido ou a esposa não tiveram essa formação vincular com os seus pais. Posteriormente, na vida a dois, encontram dificuldades em manter o relacionamento por falta desta condição vincular.

Muitos obstáculos nas relações humanas estão ligados a esta precariedade de vínculo. O casal não consegue perceber este tipo de deficiência em seu relacionamento. Focaliza os problemas em outras questões, ou ainda, prefere nem tocar no assunto. Há casos em que ignora a possibilidade de lançar mão de uma psicoterapia. E, existem situações em que a resistência impera. Fato comum é dizer que não se precisa de tratamento algum, pois que as dificuldades são de outra ordem. Todavia, perde-se a chance de resolver na causa os efeitos de uma convivência difícil.

Nestes casos, especificamente, onde houve uma deficiência na formação de vínculo e as decorrências comprometem os relacionamentos subseqüentes, denominar-se-á Síndrome do Comportamento de Hospedagem ou SCH.

No relacionamento de um casal onde há a presença da SCH, quando entra na rotina da convivência, faz surgir um novo tipo de comportamento. Ele é extremamente prejudicial. A pessoa age, inconscientemente, de forma semelhante a um hóspede dentro de sua casa. Realiza as suas atividades comuns. Mantém a comunicação e os hábitos rotineiros, inclusive os financeiros.

No entanto, a sua forma de ser e estar apresentam um novo item: a frieza ocasionada pelo distanciamento. Aos poucos vai agindo como se fosse alguém que está hospedado na casa, cumprindo com alguns papéis pertinentes, todavia, trata as questões, antes parcimoniosas, de forma independente. Deixa as responsabilidades, sobretudo as domésticas, para o outro cuidar. Onde havia uma atmosfera de cordialidade e doçura, passa a existir um espectro de isolamento e pesar. O outro vai percebendo, sensivelmente, as diferenças no tratamento recebido e acaba por se sentir, pouco a pouco, só. A sensação deste isolamento origina-se na forma pela qual a ausência do vínculo se manifesta nesta relação.

As discussões passam a existir com uma freqüência crescente em virtude do mal-estar alojado e da falta de compreensão acerca da síndrome. Os conflitos podem surgir e avoluma-se no processo bola-de-neve. A pouca consciência a respeito da SCH provoca a discórdia entre o casal, atingindo quem estiver por perto nesta convivência, via de regra, os filhos. Lembranças e cobranças de como a vida conjugal era boa anteriormente são lançadas no calor das discussões. Isto faz aquecer ainda mais o desentendimento. Esta é uma situação estressante para o casal, podendo levar os seus envolvidos à depressão e outros males. E, carrega a possibilidade de desencadear a separação. São duas polaridades se confrontando. De um lado, a ausência de vínculo, a vida isolada. De outro, a força presente da relação a dois. Os compromissos da união "pressionam" o contato mais íntimo da esfera afetiva. Caso ela não exista, torna-se um problema permanente.

Este comportamento de hospedagem reflete o quanto o seu portador, inconscientemente, procura manter distância afetiva do outro para que não haja envolvimento. Caso ocorra uma separação, desta forma, evitar-se-á o sofrimento de uma provável desvinculação. A despedida neste tipo de relacionamento demanda apenas a retirada de bagagens.

Por se tratar de uma síndrome enraizada na formação vincular faz-se necessária uma avaliação diagnóstica. Além de indicar tratamento através de profissional especializado nas relações familiares. Este especialista ocupa-se em compreender as relações conjugais e também a formação do vínculo como peça fundamental nas mudanças terapêuticas necessárias. Na descrição de Gaudêncio (2003), a terapia é o melhor atalho para o autoconhecimento, gerador de crescimento. Em uma das fases da terapia de casal, o cuidado está no vínculo, o qual permite uma continuidade na relação. Com os avanços possíveis os cônjuges podem estabelecer novo olhar sobre a relação, investindo energia na construção vincular.

O sofrimento causado pela Síndrome do Comportamento de Hospedagem modifica o foco energético dos investimentos psíquicos. Ou seja, ao invés das pessoas empregarem as energias e esforços no convívio, utilizam tais recursos na manutenção do isolamento. Soma-se a esta condição o desgaste ocasionado pelo conflito entre as polaridades (ausência vincular e a necessidade do elo afetivo), além dos resultados nefastos, colhidos após as discussões familiares. Há uma sensação de impotência e frustração perante os fatos, que ganham, cada vez mais, uma dimensão que sinaliza o triste fim da vida a dois.

Não raro, crê-se que a síndrome nasceu dentro do relacionamento. Todavia, ela, apenas, foi desencadeada durante o convívio. O seu portador não enxerga o problema já antigo, Brazelton (1988), Bee (1997), Bowlby (1990), Hoffman et al (1996), Winnicott (1993), Siqueira (2003), Adler (1937) e Maranata e Rezepka (1999). É possível comparar relações anteriores a atual e sentir que há algo semelhante nelas. Contudo, é insuficiente para entender e aceitar a síndrome e a sua demanda por tratamento. O jogo de culpa é apenas um instrumento para se defender, na tentativa de diminuir as péssimas sensações que ganham terreno no cotidiano. De nada adianta. Só aproxima o casal da separação.

Separar, por sua vez, traz de volta o estado de isolamento requerido pela síndrome. Porém, ao mesmo tempo, causa dor e sofrimento. O que se acreditou ser bom anteriormente enquanto manter uma gostosa e importante relação familiar transforma-se em um pesadelo aterrador com a ruim convivência e a separação.

Buscar ajuda especializada é o remédio para este mal. Crer numa solução de poucos recursos como o esperar o tempo como agente de mudanças é dar oportunidade para que se instale a piora da SCH. Uma boa avaliação psicológica pode dar novos rumos às vidas das pessoas que pretendem o convívio. Respeitando-se as individualidades e construindo relações afetivas, conforme Bowlby (1990), que sustentem os dissabores que a vida se encarrega de apresentar a todos, sem exceção.

Dialogar, e, entenda-se bem, conversar com o coração aberto, oferece uma primeira abertura para se compreender a vida do casal. Dar o primeiro passo pode modificar aquilo que já era considerado algo inevitável, como a separação. Empreender esta tarefa não é simples. Requer coragem e vontade para mudar. Aceitar os problemas e lutar para transformar o prejudicial em saudável. Há uma necessidade de crescimento por parte das pessoas envolvidas. O grau de maturidade determinará o quanto se quer conviver bem. Ambas as partes devem estar dispostas e comprometidas em participar deste processo, apoiando-se.

É preciso administrar os problemas existentes dando lugar ao desenvolvimento qualitativo de vida. Isto se dá de dentro para fora. Leva tempo, entretanto, deve-se considerar que os resultados, conforme a vontade empregada no processo, trarão maior liberdade para viver, individualmente e de forma conjunta. A Síndrome do Comportamento de Hospedagem nos prende a circunstâncias de isolamento, contrariando e causando dor diante dos nossos desejos de vida familiar. Cuidar da questão, alterando o comportamento de hospedagem para o de comprometimento afetivo em conjunto permite existir a unidade fundamental das relações conjugais: a dependência equilibrada e necessária do vínculo. Vale a pena lutar com vontade, ajuda e conhecimento.