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segunda-feira, 24 de junho de 2013

É IMPORTANTE COLOCAR ALEGRIA NA SUA VIDA!

Existe uma enorme diferença entre prazer e alegria. Quando conseguimos fazer uma distinção clara, movimentamo-nos muito mais rapidamente para aquilo que pretendemos atingir na vida e com muito mais energia. Mihaly Csikszentmihalyi descreve muito bem esta diferença no seu livro, Flow – o estado psicológico que entramos quando a noção de tempo desaparece e nos sentimos completamente emersos naquilo que estamos a fazer. Csikszentmihalyi distingue aquilo que fazemos por prazer (sexo, comer, beber, descansar, etc.) daquilo que fazemos por alegria e gozo.
A Alegria e gozo, são mais profundos. A alegria e gozo, envolvem sempre o uso de uma habilidade ou capacidade, e igualmente a noção de desafio. Certamente o objetivo de subir ao Evereste, tem como fim último a alegria e contentamento retirada do fato de ter conseguido ultrapassar o desafio árduo, e assim ter como recompensa todas as sensações vividas. Desta forma, velejar, jardinar, pintar, jogar futebol, cozinhar, cantar, ou outra qualquer atividade, envolvem habilidades, como tal constituem um desafio que leva a alegria, contentamento e gozo. Retirar da vida o que ela tem de melhor, promover as forças e virtudes de cada indivíduo é uma perspectiva abraçada pela Psicologia. Esta é uma abordagem que expresso na grande maioria dos meus artigos, pois olho para a vida de uma forma projetiva, virada para o futuro e para os objetivos que as pessoas pretendem alcançar através daquilo que melhor nelas existe. A alegria, é algo inato a todos nós, vimos ao mundo com um código genético preparado para o sentimento de esplendor, o nosso corpo é um templo da felicidade, se assim olharmos para ele.

FATOR PROMOTOR
No entanto, para que o gozo na vida possa ser vivenciado é necessário dominar um conjunto de habilidades. O gozo emerge do mais íntimo da pessoa, está associado a algo que depende dela e da aprendizagem e aprimoramento que fez. Por outro lado, dedicar-me ao ócio, a ficar somente assistindo a filmes, ao sabor de uma bela refeição, de um cigarro, ou dos videogames não será necessário grande investimento psicológico ou habilidades para tirar prazer disso. As pessoas que estão conscientes disso, começam a retirar mais gozo e alegria das suas vidas. Elas conseguem alcançar o estado psicológico de preenchimento total, de felicidade e emersão na atividade, conhecido como, “Fluxo”. Melhorar as habilidades e propor-se a desafios para retirar alegria e gozo dessas mesmas habilidades é um fator promotor para ter uma vida muito mais agradável e realizada.
Não quero transmitir a ideia de que você não deverá dedicar-se às outras atividades naturalmente prazerosas. Este tipo de prazer é conhecido no mundo da psicologia como adaptação hedónico (adaptação natural a acontecimentos considerados positivos e prazerosos). Este tipo de prazer tem o seu lugar e é importante para o nosso bem-estar, deveremos usufruir dele. Entretanto se faz necessário perceber que este tipo de prazer que nos é natural, é regulado pela lei dos retornos decrescentes. Este tipo de felicidade raramente dura mais que um bom par de horas, atinge um pico e depois desce. Desta forma, deveremos tentar a coexistir com os dois tipos numa relação saudável e confortável.
Poderemos encaixar o estado psicológico de fluxo, no conceito de capital psicológico. Este conceito, transmite a ideia de que deveremos investir nas habilidades, competências, virtude e valores que possuímos e associar-lhes um conjunto de sensações de bem-estar e realização pessoal. Deveremos aumentar o nosso capital psicológico, com o objetivo de podermos retirar gozo e alegria desse investimento. Se eu não tiver nenhum tipo de capital financeiro, eu não poderei comprar nada, não poderei gastar nada. Para gastar é necessário, ganhar, para ganhar é necessário trabalhar. O mesmo se aplica ao capital psicológico e ao retorno desse investimento.

IMPORTANTE: Quanto mais investir, maior será a possibilidade de retorno. Aqui o retorno será em alegria, gozo, contentamento, gratificação e realização pessoal.

E VOCÊ, EM QUE ATIVIDADE SENTE O PULSAR DA VIDA?

Partilhe conosco algumas das atividades em que se sente emerso, alegre, realizado. Grande abraço. Participe e comente!

domingo, 23 de junho de 2013

Sexualidade e Transplante de Órgãos

A sexualidade é um aspecto central do ser humano ao longo da vida e abrange sexo, identidade de gênero e papéis, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução. A sexualidade é vivida e expressada em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relacionamentos. Enquanto a sexualidade pode incluir todas as dimensões, nem todas elas são sempre vivenciadas e expressadas.
A sexualidade é influenciada pela interação de fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos, políticos, culturais, éticos, legais, históricos, religiosos e espirituais.
Neste contexto, pacientes em programa de transplante de órgãos vivenciam uma doença crônica de caráter irreversível, que indubitavelmente altera sua qualidade de vida e consequentemente sua sexualidade. Assim, o funcionamento sexual é um dos primeiros aspectos da vida “normal” que é interrompido pelos sintomas físicos e emocionais acarretados pela doença.
A sexualidade no transplante não deve ser subestimada, uma vez influencia na qualidade de vida dos pacientes. Na literatura há poucos estudos que trabalham esta temática nos transplantes. Sem dúvida, ainda é um tabu conversar sobre este assunto com os pacientes, de modo que muitos profissionais da saúde não questionam seus candidatos e receptores de transplante sobre alterações relacionadas a sexualidade.
Tratar sobre a sexualidade não deve ficar limitados aos pacientes submetidos a um transplante de órgãos, uma vez que na fase pré-transplante, quando o paciente apresenta uma doença crônica irreversível, alterações desta natureza causam impacto significativo na sua vida, incluindo a presença de distúrbios que podem causar problemas no relacionamento do paciente com seu cônjuge. Neste período, os fatores etiológicos associados com disfunções sexuais estão associados a condições médicas (doença crônica, alterações endócrinas, doenças cardiovasculares e alterações neurológicas), fadiga crônica, perda da libido, uso de medicamentos (agentes anti-hipertensivos, antidepressivos, anticonvulsivantes, estatinas), além do uso abusivo de nicotina, álcool, esteroides, anabolizantes dentre outras drogas.
Os candidatos a um transplante, desde a indicação para cirurgia, direcionam sua vida para a sobrevivência e recuperação. Após o transplante os receptores recuperam sua saúde e resistência, e uma nova questão torna-se importante: quando e quanto a vida sexual e a intimidade voltarão ao normal? Para responder a este questionamento, as equipes de transplante precisam estar preparadas para auxiliar seus pacientes a obterem respostas a esta pergunta.
Indubitavelmente, a sexualidade é uma parte importante da vida cotidiana e também uma parte de quem somos como homem, mulher e parceiros. A sexualidade é uma forma de satisfazer as necessidades para o toque, proximidade, cuidado lúdico e prazer.
Sentimentos sobre a sexualidade fornecem entusiasmo para a vida, tem grande impacto sobre a autoestima e imagem corporal, e, sem dúvida, afetam as relações com os outros. Tão importante quanto isso é para cada um, muitos pacientes e profissionais da saúde das equipes de transplante não discutem o impacto da doença, do tratamento ou da cirurgia na saúde sexual dos pacientes.
Dentre os possíveis distúrbios relacionados à sexualidade nos homens destaca-se a disfunção erétil relacionada a medicamentos, alterações hormonais, alterações da irrigação vascular da área pélvica e presença de depressão. Nas mulheres destacam-se a disfunção ovariana, amenorreia, diminuição ou perda da libido e da fertilidade. Nestes caso, após o transplante, pacientes do sexo feminino precisam tomar várias precauções para se evitar uma gestação ainda durante o período de recuperação da cirurgia, sendo recomendado o uso de métodos contraceptivos. Ressalta-se que a gravidez bem sucedida após o transplante é possível, no entanto, ela deve ser planejada sob supervisão médica.
Em relação a atividade sexual, as equipes de transplante normalmente recomendam esperar de 4 a 6 semanas após a cirurgia para se iniciar.
Após o transplante os pacientes ainda podem apresentar pouco interesse no sexo. A perda de interesse em sexo pode ser devido a problemas muitos reais incluindo as preocupações com a sobrevivência, medo e depressão, presença de náuseas e vômitos, conflitos de relacionamento ou qualquer emoção ou pensamento que mantém o longe de se sentir sexualmente excitado. Isso pode incluir ansiedade do parceiro por não gostar das alterações no corpo do receptor do transplante. Outras causas de interrupções na sexualidade podem ter base na presença de doenças, uso de medicamentos e mudanças físicas no corpo. Estas incluem o ganho ou perda de peso, acne, crescimento de pelos indesejados ou perda de cabelo. Para alguns pacientes, cicatrizes, cirúrgicas podem levá-los a se sentir pouco atraente e assim diminuir o seu interesse pelo sexo.

O Brasil está se tornando uma referência no que se refere a transplante de órgãos. As equipes envolvidas buscam constantemente aperfeiçoar todo o processo que se inicia com a inscrição do paciente na fila única até o transplante propriamente dito. Desta forma, estudar e buscar compreender de forma mais refinada o tema abordado se faz presente. Afinal, o principal objetivo de um transplante deve estar pautado no resgate da qualidade de vida de nossos pacientes.

domingo, 5 de maio de 2013

Saúde mental; um direito de todos


    
A ideia da saúde mental como a conhecemos no passado, chegou a um beco sem saída. Ao debruçar-se mais nos aspetos dos transtornos, focando a sua atenção nas incapacidades e disfunções das pessoas, tornou-se excessivamente hermética no modelo da doença mental e não propriamente numa abordagem focada na promoção da saúde mental. Na atualidade, este antigo modelo não adiciona muita coisa na vida das pessoas.

Da velha a nova forma de saúde psicológica
Felizmente tem vindo a surgir na psicologia positiva uma nova forma de olhar a saúde mental, exatamente pelo prisma principal que é focar muito mais a atenção nos mecanismos do bem-estar, superação e florescimento do que propriamente nos mecanismos da perturbação.
A saúde psicológica está a ser repensada para o bem de todos nós. Existe agora a possibilidade de interpretar, implementar e alinhar emoções, pensamentos, atitudes, valores e comportamentos por uma perspectiva positiva.
De acordo com este novo paradigma de mudanças bruscas na sociedade que abalam o equilíbrio emocional a espaços curtos, também o velho conceito de psicoterapia e/ou consulta psicológica deixou de ser um modelo adequado para ajudar as pessoas a lidarem com os problemas do dia-a-dia. O modelo antigo baseado no processo alterou-se por necessidades impostas da dinâmica da vida atual para um modelo consultivo orientado para os resultados. O modelo antigo orientava-se muito mais para o problema específico da pessoa não dando relevância ao enquadramento da vida da pessoa e ao fornecimento de ferramentas promotoras de saúde psicológica.
Os desafios psicológicos incluem uma mistura de questões sociais, econômicas e políticas que afetam a nós mesmos, aos outros e o nosso futuro coletivo. O campo da saúde mental está muito preso dentro de uma mentalidade do século XX, que assumia uma relativa estabilidade e mudança previsível na sociedade em geral e na vida pessoal em particular. Mas, como eu descrevo abaixo, o mundo de hoje está em constante alteração, com rápidas mudanças tecnológicas e interligação global. Esta mudança tem empurrado a vida das pessoas e as expectativas de futuro para um turbilhão de decisões constantes. Despertou medos contínuos e fez com que as velhas formas de lidar com as mudanças e conflitos ficassem ineficazes.
Além disso, apesar da prevalência da psicoterapia e medicamentos psiquiátricos, os conflitos emocionais continuam a permear a nossa sociedade. Perturbações psicológicas como a ansiedade e depressão tem vindo a aumentar entre as pessoas “funcionais”. Ou seja, quer dizer que uma pessoa funcional, “sem doença mental” tal como poderia ser diagnosticada no antigo modelo, sofre hoje de estados ansiosos e deprimidos. Relacionamentos fracassados​​, casos de divórcio são uma constante, apesar da prevalência de terapia de casais e de programas “salvadores de relacionamentos”. Egoísmo desenfreado, narcisismo e mentalidades “fechadas”  influenciam negativamente as vidas pessoais e as políticas públicas.
Pesquisas tem trazido esclarecimento sobre o papel dos medicamentos e do poder de placebos para a ansiedade e depressão, revelando uma ausência de provas da eficácia da grande maioria desses medicamentos, ou pior, que podem alterar o cérebro de maneira prejudicial. Por exemplo, novos estudos têm vindo a desacreditar a velha teoria do desequilíbrio químico como a “causa” da depressão. Outros mostram que o efeito placebo de medicamentos é muito mais profunda do que se pensava anteriormente. Proeminentes investigadores estão agora criticando o uso excessivo e mau uso de medicamentos psiquiátricos em geral, e como eles podem afetar o cérebro, a longo prazo.

O IMPACTO PSICOLÓGICO DO MUNDO DE HOJE
Há um novo ambiente mundial em que os profissionais de saúde mental têm de conseguir reconhecer e levar em consideração: as rápidas transformações que todos sentimos no nosso dia-a-dia. Existe uma turbulência constante e altamente interconectada entre todos os povos do planeta e, cada vez mais fica clara esta nova realidade que se apresenta a todos nós como a nova “normalidade”. A antiga visão da saúde psicológica nem sequer reconhece o impacto dos atuais desafios, muito menos fornece uma visão de saúde psicológica no contexto deste “novo normal”. O antigo modelo continua preso às premissas de um pensamento em torno de uma “normalidade estável” e está desajustado a esta nova realidade que nos empurra a implementar uma nova mentalidade baseada agora numa “normalidade temporária”
Ironicamente, grande parte do mundo dos negócios está mais em sintonia com as novas realidades e do impacto que têm nas organizações, na noção de liderança e na carreira das pessoas. Esta perspectiva oferece uma imagem melhor acerca do que consiste a saúde psicológica, hoje, e daquilo que a ajuda a construir. O mundo empresarial de hoje tornou-se num ambiente de caos, incerteza e perturbação em progresso. Tudo isto leva a que o ritmo de interrupção aumente, especialmente com a adoção da mobilização social global, redes sociais móveis e de outras novas tecnologias. O modelo que irá definir a próxima época é incerto. Este novo modelo de vida e consequentemente de saúde psicológica será marcado por mais fluidez do que por qualquer novo paradigma estabelecido. O padrão que se reconhece em tudo isto, é que não há um padrão. O insight mais valioso é que estamos a caminhar num sentido crítico, num momento de transformação constante que deita por terra as velhas formas de adequação à vida e ao equilíbrio emocional.