quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Transplante de órgãos: responsabilidade de todos


Artigo publicado no Jornal Cinorreio Braziliense de 13 de setembro de 2010 como parte integrante da matéria "Apesar do aumento de doadores, espera por órgãos ainda é longa"

O transplante de órgãos e tecidos distingue-se das demais modalidades terapêuticas por ser a única cuja matéria-prima não pode ser comprada, pois, para salvar o paciente, faz-se necessário obter a doação de partes do corpo de um semelhante. A construção da cadeia de solidariedade, como o elo doador-receptor, no qual a partida de um possibilita o renascer de muitos é tarefa complexa, que requer uma intensa articulação entre aqueles que necessitam de transplantes, os profissionais que realizam esse procedimento, os poderes públicos que regulamentam esses atos e a sociedade, que precisa estar sensibilizada para atender ao apelo da doação.
A população, uma vez informada, responde bem a esse apelo. Após cada campanha ou mensagem positiva sobre doação, o país inteiro experimenta imensas ondas de solidariedade, que materializam a tese de Edgar Morin, de que "a espécie manifesta comportamentos solidários, de que nós temos um potencial de solidariedade, a questão é como fazer para despertá-lo", o que nos incita a conceber a solidariedade não apenas como um valor humanista, mas sobretudo como condição prática da sobrevivência de uma sociedade.
O Brasil alcançou, já no primeiro semestre de 2010, a marca de 10 doadores por milhão de habitantes, prevista para o fim do ano. Esse aumento, majoritariamente concentrado em alguns centros, deve-se a ações e iniciativas direcionadas para aumentar a eficiência na detecção e efetivação de doadores, somadas às atividades de capacitação, articulação e sensibilização desenvolvidas pela Associação Brasileira de Transplante de Órgão (ABTO). Decisão política de gestores, planejamento racional, educação e informação são, portanto, elementos infalíveis para uma política de transplantes eficiente.
Em um sistema de saúde descentralizado como o do Brasil, é de vital importância o engajamento dos governos estaduais para combater a desigualdade regional ainda tão gritante. O fosso existente entre os vários "Brasis do transplante" só será reduzido mediante o estabelecimento de metas a serem progressivamente alcançadas pelos gestores estaduais na captação de órgãos para transplantes, definidas a partir do patamar em que se encontram. A história dos direitos à saúde, não se fez num único lance. Essa responsabilidade política e ética é difícil de ser assumida e, exatamente por isso, é uma necessidade assumí-la. Juntos, governo e sociedade, podemos fazer muito.
Autor: Henry de Holanda Campos

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Relacionamentos modernos

Pensamento da Semana

Transtorno Bipolar


A bipolaridade é uma doença emocional caracterizada por transtornos de humor. O bipolar tem momentos de depressão e outros de euforia excessiva (mania) e é por este motivo que as pessoas consideradas bipolares, até tempos atrás, eram chamadas de maníaco-depressivas.
O problema da bipolaridade é que o humor da pessoa reage de modo incompatível ou exagerado à situação e está sujeito a muitas variações que fogem ao controle, gerando muito sofrimento. Quando o bipolar está na sua fase maníaca, pode extrapolar quanto à noção de riscos e, em momentos de depressão, pode cometer atos extremos ou se retrair, ficar apático, etc., afetando suas atividades normais e rendimento.
Ambas as situações geram conflitos no relacionamento com as outras pessoas, podendo gerar relações desequilibradas, discussões impulsivas, dentre outros. Há também quadros mistos, em que euforia e depressão se misturam numa mesma fase e quadros em que, entre uma fase e outra, a pessoa pode ter um estado de humor normal ou apresentar leves sintomas. Em casos mais graves, estes intervalos não existem e o portador dificilmente levará uma vida dita normal e independente.
A bipolaridade é, muitas vezes, confundida com a depressão, uma vez que os portadores geralmente enfrentam mais momentos depressivos que de mania e o humor elevado é, muitas vezes, associado a um estado de felicidade normal da pessoa. Pode ser confundido também com o déficit de atenção, pela característica em comum de desatenção e agitação e também com o transtorno compulsivo obsessivo, uma vez que bipolares são auto-exigentes e extremistas. Desta forma, nem sempre o paciente é diagnosticado corretamente e não é raro serem tratados com antidepressivos, o que pode conferir uma melhora no estado depressivo, mas pode acarretar grandes problemas quanto ao estado maníaco, uma vez que potencializa o quadro.
Geralmente o tratamento é feito com estabilizadores de humor prescrevidos por médicos psiquiatras e acompanhamento psicológico. Boas noites de sono, exercícios físicos, boas relações afetivas, hobbies, alimentação saudável e espiritualidade são algumas formas de contribuir para se estabilizar o humor e conferir uma melhor qualidade de vida à pessoa, além da ajuda de amigos e familiares, principalmente no sentido de imposição de limites e compreensão, evitando julgamentos prévios e desnecessários.

domingo, 7 de novembro de 2010

Nem tudo é fácil

Palavras de nossa grande poetisa Cecília Meireles

"É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.

É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada.
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...

Mas com certeza, nada é impossível.
Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, mas também tornemos todos esses desejos, realidade!!!"

Pensamento da Semana

Discalculia


A discalculia é um distúrbio neurológico que afeta a habilidade com números. É um problema de aprendizado independe, mas pode estar também associado à dislexia. Tal distúrbio faz com que a pessoa se confunda em operações matemáticas, conceitos matemáticos, fórmulas, seqüência numéricas, ao realizar contagens, sinais numéricos e até na utilização da matemática no dia-a-dia. Estima-se que esta patologia atinja cerca de 3 a 6% da população em idade escolar

Pode ocorrer como resultado de distúrbios na memória auditiva, quando a pessoa não consegue entender o que é falado e conseqüentemente não entende o que é proposto a ser feito, distúrbio de leitura quando o problema está ligado à dislexia e distúrbio de escrita quando a pessoa tem dificuldade em escrever o que é pedido (disgrafia).

É muito importante buscar auxílio para descobrir a discalculia independente do sujeito se encontrar ou não no período escolar quando alguns sinais são apresentados, pois alguns discalcúlicos são chamados de desatentos e preguiçosos quando possuem problemas quanto à assimilação e compreensão do que se é solicitado.

Também é de grande importância ressaltar que o distúrbio neurológico que provoca a discalculia não causa deficiências mentais como algumas pessoas questionam. O discalcúlico pode ser auxiliado no seu dia-a-dia por uma calculadora, uma tabuada, um caderno quadriculado, com questões diretas e se ainda tiver muita dificuldade, o professor ou colega de trabalho pode fazer seus questionamentos oralmente para que o problema seja resolvido. O discalcúlico necessita da compreensão de todas as pessoas que convivem próximas a ele, pois encontra grandes dificuldades nas coisas que parecem óbvias.

A discalculia é mais comprometedora da funcionalidade que os problemas relacionados à leitura, porque toda nossa vida gira em torno de números. O mau desempenho matemático tem várias consequências, como a baixa remuneração dos empregos e a dificuldade de aquisição de renda.

Você percebe que seu filho está em conflito com a matemática quando tem notas baixas na disciplina, dificuldade de aprender, não consegue compreender a tabuada, persiste em contar nos dedos, não faz relações com tempo, tamanho e quantidade. Mas, para avaliar a aquisição ou não da discalculia, o recomendado é aplicar testes padronizados. Nem toda resistência é sinal do problema. E é dentro deste contexto que se faz necessário buscar o auxílio de um profissional especializado. Destaco que somente o profissional da Psicologia é licenciado através de lei para a aplicação, correção e devolução dos testes psicológicos que poderão auxiliar no diagnóstico da dicalculia.

Pais e escolas que não conhecem o conceito da discalculia ficam desamparados. Atribuem o transtorno à preguiça ou à suposta “burrice” das crianças. Assim, acabam usando medidas punitivas, castigos e o conflito familiar para mudar o comportamento das crianças.

Ao longo da vida, os reflexos das “complicações numéricas” são tantos que, de acordo com a Sociedade Brasileira de Matemática, o raciocínio desenvolvido pela matemática pode influenciar também no progresso da leitura e da análise de textos. Além disso, crianças com dificuldade na disciplina geralmente carregam estereótipos na escola. Na fase adulta, se não tratadas, podem ter complicações até na hora de fazer compras parceladas, distribuir o salário e montar o orçamento doméstico.

Se pais e professores não têm paciência, e didática, a criança poderá ficar insegura e com medo de novas situações, podendo desenvolver até mesmo uma fobia matemática. Baixa autoestima devido as críticas e punições de pais e colegas.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Pensamento da Semana